terça-feira, 12 de outubro de 2010

CONTOS PANCHATANTRA

Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

Panchatantra é um conjunto de cinco volumes de histórias escritas por um professor para instruir os príncipes nos vários aspectos da realeza. Os cinco volumes juntos servem como um guia para um rei previdente, ajudando-o a decidir como governar, como escolher seus amigos, seus ministros, como se administrar na vida diária, entre outras coisas. A coleção de histórias do Panchatantra é realmente valorosa para os pais, ajudando-os a guiar – a si e aos filhos – segundo os valores da vida humana. Toda história do Panchatantra tem uma moral.
Eis aqui o parágrafo inicial, que explicita o objetivo do Panchatantra:
“Há muito tempo, no reino de Mahilaropya,viveu um rei que governava perfeitamente. Ele tinha três filhos, que não eram inteligentes. O rei estava preocupado com a sucessão do trono, pois sabia que seus filhos eram incapazes de governar. Ele procurava desesperadamente um bom professor para seus filhos, que lhes ensinasse as escrituras e os tornasse sábios em pouco tempo. O ministro do rei indicou-lhe, então, uma autoridade qualificada, VishnuSharman. VisnuSharman era velho e o rei se preocupava em como o professor realizaria seu trabalho se mesmo um homem inteligente levava mais de doze anos para apreender todos os elementos das escrituras. Então VishnuSharman convenceu o rei que ensinaria aos príncipes sobre a conduta real através de uma série de histórias, que seriam mais efetivas que as escrituras. Assim, VishnuSharman compilou a coleção de cinco volumes intitulada Pancha Tantra, que deveria ser um guia para príncipes sobre o comportamento de um rei.”
Quase toda criança na Índia escutou histórias do Panchatantra, seja dos pais ou avós, para aprender alguns conceitos morais específicos.

A FILHA DO SÁBIO
Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

Era uma vez um sábio que vivia próximo a um rio. Ele e sua esposa não tinham filhos. Certo dia, quando o sábio estava rezando no meio do rio, uma águia passou sobre ele e soltou uma rata sobre suas mãos. Ao ver a rata em suas mãos, decidiu levá-la para casa, para sua mulher.
Ao chegar em casa, ele contou à sua esposa sobre a rata e decidiram transformá-la em uma garotinha. O sábio e sua esposa começaram a cuidar da menina, criando-a como sua filha. Dia após dia, a garota cresceu, até se tornar uma bela moça de dezesseis anos de idade. Vendo-a já crescida, seus pais decidiram encontrar um esposo para ela. Decidiram pelo Deus do Sol.
Assim, o sábio rezou para que o Deus do Sol aparecesse e, quando este finalmente o fez, pediu-lhe que se casasse com sua filha. Mas a própria moça disse: “Perdoa-me! Não posso casar-me com o Deus do Sol, pois seu brilho é muito intenso e eu seria reduzida a cinzas diante de seu calor e de sua luz”. Descontente, o sábio pediu ao Deus do Sol que sugerisse outro possível esposo para sua filha. O Deus, então, sugeriu o Deus das Nuvens. Este poderia facilmente bloquear os raios do sol.
O sábio, então, rezou para o Deus das Nuvens e, quando este apareceu, levou-o até sua filha. Mais uma vez, a moça não aceitou o pretendente. Ela disse: “Não quero casar-me com alguém tão sombrio quanto ele. Além do mais, tenho medo do barulho que o trovão produz”. Ainda mais abatido, o sábio perguntou ao Deus das Nuvens por um esposo satisfatório para sua filha. O Deus disse-lhe: “Por que você não procura o Deus dos Ventos? Ele pode afastar minhas nuvens facilmente”.
O sábio, então, rezou para o Deus dos Ventos. Ao ver o pretendente, a filha do sábio rejeitou-o, dizendo que não podia casar-se com alguém tão fraco como o vento, que se move a todo instante. Ao ser questionado pelo sábio sobre um esposo satisfatório, o Deus sugeriu o Deus das Montanhas, que é rocha firme e pode facilmente para o vento. Então, o sábio foi até o Deus das Montanhas e pediu-lhe que se casasse com sua filha. Mas esta também o rejeitou, dizendo que ele era demasiado duro de coração para ela, e pediu que seu pai lhe achasse alguém mais macio. O Deus das Montanhas sugeriu, então, que ela se casasse com um rato, que é macio e pode facilmente fazer buracos na rocha.
Finalmente, a filha do sábio se contentou, aceitando casar-se com um rato. Diante disso, o sábio disse-lhe: “Veja o que o destino te reservou, Começaste como rata, e, no fim, casar-se-á com um rato. Que assim seja”. E então a transformou de volta numa rata, que pôde enfim casar-se com um rato.

MORAL: Nada muda o destino.



Panchatantra: A Doninha e a Esposa do Fazendeiro
Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

Era uma vez um fazendeiro, sua esposa e seu filho recém nascido. A esposa do fazendeiro queria ter um animal de estimação animal que protegesse e fizesse companhia à criança. Os pais discutiram e optaram por uma doninha. Então, eles trouxeram uma doninha para criar.
Alguns meses depois, ocorreu que o fazendeiro e sua esposa precisaram sair da casa e deixar a criança sozinha com a doninha. O fazendeiro pensou que a doninha tomaria conta da criança enquanto ele e sua esposa estivessem fora.
A esposa do fazendeiro voltou mais cedo para casa e, vendo a boca da doninha suja de sangue, imediatamente deduziu que o animal tivesse matado a criança. Irada, arremessou uma caixa na doninha, que ficou seriamente ferida. Então, ela correu para dentro da casa, a fim de saber o que realmente acontecera à criança. Para sua surpresa, havia uma cobra morta no chão da sala. Agora ela sabia a verdade: a doninha salvara a vida de seu filho, matando a cobra. Percebendo seu engano, saiu apressada do aposento, mas apenas para encontrar a doninha morta. Ela chorou copiosamente por sua atitude precipitada.

MORAL: Não haja precipitadamente. Antes de tudo, pense.

Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

Era uma vez um chacal que vagava pela cidade em busca de comida. Ele estava faminto, e era perseguido por um bando de cachorros. Acidentalmente, o chacal acabou entrando na casa de um tintureiro e caindo em um barril de índigo (tintura azul), e ficou manchado de azul das patas à cabeça. Quando conseguiu fugir da casa de volta para a floresta, todos os animais se surpreenderam com sua aparência e não o reconheceram. Tirando vantagem da situação, o chacal disse-lhes que era a Coruja Feroz, enviada à terra pelo rei dos deuses, Indra, para guardar a floresta.
Os crédulos animais acreditaram no chacal. Então, o chacal indicou o Leão como primeiro ministro, o tigre como guardião de seu local de repouso e o elefante como guardião da porta. Então, ele fez com que todos os outros chacais da floresta sumissem de vista, para que não fosse reconhecido como um deles. Os animais deveriam caçar todo o alimento e levá-lo ao auto-proclamado rei, que o distribuiria igualmente entre todos, tal como deve ser. Assim, o chacal levava uma vida de luxo.
Certo dia, um bando de chacais passava pela região, uivando à própria glória. Incapaz de controlar seus instintos naturais, a Coruja Feroz mostrou sua verdadeira voz, uivando ruidosamente. Ao ouvir tal uivo, os animais perceberam que haviam sido enganados todo o tempo, e mataram o chacal azul naquele instante.

MORAL: A ganância em excesso é perigosa.

Traduzido e Adaptado por Rafael Brito

Era uma vez um leão e uma leoa, que viviam em uma densa floresta. A seu devido tempo, o casal deu à luz dois filhotes. O leão pediu à leoa que ficasse em casa, tomando conta dos filhotes. Certo dia, o leão não conseguiu caçar nenhum animal, mas encontrou uma raposa no caminho de volta para casa. Ele levou-a como um presente para a leoa. A leoa criou a raposa como um de seus próprios filhotes. Os três pequenos animais cresceram e brincaram juntos. Uma vez, os filhotes viram um elefante. Os leõezinhos quiseram enfrentá-lo, mas a raposa estava assustada, e pediu que fugissem. Então, eles fugiram para a casa da mãe leoa.
Os leõezinhos contaram o caso à mãe. Ela riu da pequena raposa. Enraivecida e magoada, a raposa desafiou a leoa, por tê-la chamado de covarde. A leoa respondeu: “O que há de errado em devorar um elefante? Você se sente assim apenas porque não é um filhote de leão verdadeiro. Você é um filhote de raposa. Sua espécie nunca come elefantes. Se você não tem coragem, por favor, nos deixe e vá viver com os seus”. A raposa não quis mais viver lá, e partiu para a floresta.

Moral: Um covarde permanecerá covarde mesmo na companhia de bravos.

fonte www.templodoconhecimento.com
Contos de Panchatantra
Traduzidos e Adaptados por Rafael Brito

Um comentário:

  1. no conto do fazendeiro, esposa e doninha, na moral da historia o correto é: "Aja" e não "haja"

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